IMD World Competitiveness Ranking 2025: Análise Exploratória de 70 Economias
Análise exploratória do Ranking Mundial de Competitividade do IMD (edição 2025/2026), avaliando a distribuição de 70 economias por continente, as maiores variações no período, os destaques regionais e a posição do Brasil em perspectiva comparada.
Este artigo apresenta uma análise exploratória de dados (AED) do IMD World Competitiveness Ranking (WCR) — edição 2025/2026, publicado pelo World Competitiveness Center (WCC) da escola de negócios IMD, sediada em Lausanne, Suíça. A base utilizada compreende 70 economias classificadas por posição, variação em relação à edição anterior e continente de origem, extraída da planilha oficial disponibilizada pelo IMD. O objetivo é mapear padrões de competitividade global, identificar tendências de ascensão e declínio, e contextualizar o desempenho do Brasil no cenário internacional.
1. O que é o IMD World Competitiveness Ranking?
O IMD World Competitiveness Ranking é publicado anualmente desde 1989 e constitui uma das referências globais mais respeitadas para a mensuração da competitividade das nações. Na edição de 2025, o ranking cobre 69 economias — sendo que a planilha analisada registra 70 entradas, com Chipre e Cazaquistão classificados como pertencentes a mais de um continente (Europa/Ásia). Três economias foram acrescentadas nesta edição: Quênia, Namíbia e Omã.
O ranking parte do princípio de que a competitividade de uma economia não se reduz ao PIB ou à produtividade. Governos precisam criar ambientes marcados por infraestrutura eficiente, instituições sólidas e políticas que estimulem a geração de valor sustentável pelas empresas. Para capturar essa complexidade, o WCR combina dados estatísticos externos com os resultados de um survey aplicado a executivos seniores nas economias analisadas.
1.1 Os quatro fatores e vinte subfatores
Toda a metodologia está organizada em quatro grandes fatores, cada um subdividido em cinco subfatores. Em 2025, os resultados de survey e os dados estatísticos foram consolidados em 336 critérios no total, sendo 92 oriundos exclusivamente das respostas dos executivos. Cada subfator tem peso equivalente na consolidação final, independentemente do número de critérios que contém.
| Fator | O que avalia | Exemplos de subfatores |
|---|---|---|
| I — Desempenho Econômico | Macroeconomia doméstica, comércio, investimento externo, emprego e preços | Economia doméstica, comércio internacional, IDE, emprego, preços |
| II — Eficiência do Governo | Finanças públicas, política fiscal, arcabouço institucional, legislação de negócios e estrutura social | Finanças públicas, política fiscal, arcabouço institucional, legislação, coesão social |
| III — Eficiência dos Negócios | Produtividade, mercado de trabalho, finanças, práticas de gestão e atitudes/valores | Produtividade, mercado de trabalho, finanças, gestão, atitudes e valores |
| IV — Infraestrutura | Infraestrutura básica, tecnológica, científica, saúde/meio ambiente e educação | Infraestrutura básica, tecnológica, científica, saúde/meio ambiente, educação |
Tabela 1 – Os quatro fatores do IMD World Competitiveness Ranking e seus domínios de avaliação. Fonte: IMD WCC, Metodologia 2025.
Os dados quantitativos são obtidos junto a organizações internacionais, nacionais e institutos parceiros — 73 ao todo, presentes em 60 países. Os dados de percepção foram coletados entre fevereiro e maio de 2025, com 6.162 respondentes executivos, que avaliaram questões em escala de 1 a 6. Os valores de survey são convertidos em pontuação de 0 a 10 e transformados em desvios-padrão para o cálculo final do ranking.
O WCR parte de uma perspectiva global, regional, sub-regional, econômica e humana — combinando dados externos com survey proprietário de executivos em 69 economias. A edição 2025 foi publicada em junho de 2025 e destaca como a eficiência do governo está se tornando um pilar central para a resiliência de longo prazo das nações.
2. Panorama Geral do Ranking 2025/2026
A planilha analisada contém 70 registros (economias), distribuídos entre seis continentes, com 8 economias sem variação em relação à edição anterior, 28 em ascensão e 34 em queda. A liderança global é ocupada por Singapura, seguida de Hong Kong SAR e Suíça. A última posição pertence à Venezuela.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Edição | 2025 / 2026 |
| Total de economias | 70 (sendo 3 com classificação intercontinental) |
| 1º lugar | Singapura (+1 posição) |
| Última posição (70º) | Venezuela (−1 posição) |
| Economias em ascensão | 28 |
| Economias em queda | 34 |
| Sem variação | 8 |
| Maior subida | Polônia (+11 posições, 41º lugar) |
| Maior queda | Lituânia (−13 posições, 34º lugar) |
| Posição do Brasil | 65º (−7 posições) |
| Fonte | IMD World Competitiveness Center, 2025 |
Tabela 2 – Resumo estatístico do IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
3. Distribuição por Continente
A Europa concentra a maior parcela das economias avaliadas, com 29 países classificados exclusivamente neste continente, além de dois casos híbridos (Chipre e Turquia, classificados como Europa/Ásia*). A Ásia aparece em segundo lugar com 20 economias, seguida pela América do Sul (6), África (6), América do Norte (4) e Oceania (2). Esta distribuição reflete tanto a cobertura histórica do ranking quanto o peso econômico dessas regiões na economia global.
Figura 1 – Distribuição de economias por continente (IMD WCR 2025/2026)
Fonte: IMD World Competitiveness Ranking, planilha 2025/2026. Casos intercontinentais (Chipre, Turquia, Cazaquistão) contabilizados pelo continente principal.
3.1 Líderes por continente
A análise dos primeiros colocados por região evidencia que a Ásia domina o topo global — as três primeiras posições pertencem a economias asiáticas ou sino-asiáticas. A Europa, apesar da maior representação numérica, tem seu melhor representante apenas na 3ª posição (Suíça). Nas Américas, os Estados Unidos (10º) lideram, enquanto no continente africano a África do Sul (54º) aparece em destaque, impulsionada pela maior subida relativa do ranking nessa edição (+10 posições).
| Continente | 1º da região | Posição global | Variação |
|---|---|---|---|
| Ásia | Singapura | 1º | +1 |
| Europa | Suíça | 3º | −2 |
| América do Norte | Estados Unidos | 10º | +3 |
| Oceania | Austrália | 17º | +1 |
| América do Sul | Chile | 43º | −1 |
| África | África do Sul | 54º | +10 |
Tabela 3 – Economias líderes por continente no IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
4. Análise das Variações
A variação entre edições é um indicador sensível das transformações nas políticas econômicas, na eficiência governamental e na percepção dos executivos sobre cada economia. Na edição 2025/2026, a média de variação entre as 62 economias com dados numéricos disponíveis é de −0,69 posição, com desvio-padrão de 5,2 — indicando que, em geral, há leve tendência de queda, porém com dispersão relevante.
4.1 Maiores ascensões
A Polônia protagoniza a maior subida da edição, avançando 11 posições e chegando ao 41º lugar — reflexo de melhorias percebidas em eficiência do governo e desempenho econômico no contexto europeu pós-conflito ucraniano. A África do Sul registra a segunda maior subida (+10), seguida da Turquia (+9) e da Malásia (+8).
| País | Posição 2025 | Variação | Continente |
|---|---|---|---|
| Polônia | 41º | +11 | Europa |
| África do Sul | 54º | +10 | África |
| Turquia | 57º | +9 | Europa / Ásia* |
| Malásia | 15º | +8 | Ásia |
| Luxemburgo | 14º | +6 | Europa |
| Coreia do Sul | 21º | +6 | Ásia |
Tabela 4 – Maiores ascensões no IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
4.2 Maiores quedas
A Lituânia registra o maior declínio da edição, recuando 13 posições e caindo para o 34º lugar. A Romênia (−12) aparece logo atrás. Chama atenção o fato de quatro países europeus figurarem entre os cinco maiores retrocessos, sugerindo pressões sobre eficiência governamental e desempenho econômico em partes da Europa Central e Oriental.
| País | Posição 2025 | Variação | Continente |
|---|---|---|---|
| Lituânia | 34º | −13 | Europa |
| Romênia | 61º | −12 | Europa |
| Bélgica | 32º | −8 | Europa |
| República Tcheca | 33º | −8 | Europa |
| Indonésia | 48º | −8 | Ásia |
Tabela 5 – Maiores quedas no IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
A concentração de quedas na Europa Central e Oriental sugere que fatores como instabilidade política, pressões inflacionárias remanescentes e dificuldades de adaptação ao novo contexto de fragmentação do comércio global impactaram a percepção dos executivos sobre a competitividade dessas economias na edição 2025.
5. Análise do Top 10
O topo do ranking 2025/2026 é dominado por economias de pequeno e médio porte, abertas ao comércio e com governança consolidada. Sete das dez primeiras posições pertencem à Ásia ou à Europa. A presença de Emirados Árabes Unidos (5º), Dinamarca (6º) e Irlanda (7º) reforça o padrão de que tamanho econômico não é condição para alta competitividade — governança eficiente e coerência de política são determinantes mais relevantes.
Figura 2 – Top 10 do IMD World Competitiveness Ranking 2025/2026
Fonte: IMD World Competitiveness Ranking, planilha 2025/2026.
6. Análise por Região
6.1 Ásia — o continente do topo
A Ásia detém as três primeiras posições globais e concentra economias com as maiores subidas da edição (Malásia +8, Coreia do Sul +6, China +4). A presença de economias do Golfo Pérsico (EAU, Catar, Bahrein, Arábia Saudita) entre as primeiras 25 posições reforça a transformação econômica do Oriente Médio. Do outro lado, Indonésia (−8) e Mongólia (−1) figuram entre as quedas asiáticas.
| País | Posição | Variação | Destaque |
|---|---|---|---|
| Singapura | 1º | +1 | 🥇 Líder mundial |
| Hong Kong SAR | 2º | +1 | |
| Taiwan (Taipé Chinesa) | 4º | +2 | |
| Emirados Árabes Unidos | 5º | = | |
| Malásia | 15º | +8 | ⬆ Maior subida asiática |
| Indonésia | 48º | −8 | ⬇ Maior queda asiática |
| Mongólia | 67º | −2 | ⚠ Penúltima da Ásia |
Tabela 6 – Destaques da Ásia no IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
6.2 Europa — maior volume, desempenho disperso
Com 29 economias, a Europa é o continente mais representado, mas também o de maior dispersão interna — da Suíça (3º) à Romênia (61º). A Europa Ocidental e Nórdica mantém posições elevadas, enquanto a Europa Central e Oriental apresenta as maiores volatilidades da edição. Islândia (−7), Noruega (−6) e Bélgica (−8) recuaram de forma significativa, ao passo que Polônia (+11) e Estônia (+5) avançaram.
| País | Posição | Variação | Destaque |
|---|---|---|---|
| Suíça | 3º | −2 | 🥇 Líder europeia |
| Dinamarca | 6º | −2 | |
| Polônia | 41º | +11 | ⬆ Maior subida europeia |
| Lituânia | 34º | −13 | ⬇ Maior queda global |
| Romênia | 61º | −12 | ⚠ Menor da Europa |
Tabela 7 – Destaques da Europa no IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
6.3 América do Sul — Chile na liderança, Brasil em retrocesso
A América do Sul conta com seis economias no ranking. O Chile (43º) lidera a região, apesar de recuar uma posição. A Argentina (58º) registra a maior subida sul-americana (+4). Na contramão, o Brasil (65º) e a Colômbia (59º) apresentam quedas expressivas de 7 e 5 posições, respectivamente. A Venezuela encerra o ranking global na última colocação (70º).
| País | Posição Global | Posição na região | Variação |
|---|---|---|---|
| Chile | 43º | 1º na região | −1 |
| Argentina | 58º | 2º na região | +4 |
| Colômbia | 59º | 3º na região | −5 |
| Peru | 60º | 4º na região | = |
| Brasil | 65º | 5º na região | −7 |
| Venezuela | 70º | 6º na região | −1 |
Tabela 8 – Economias da América do Sul no IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
A América do Sul apresenta desempenho heterogêneo: enquanto Argentina avança (+4) e Peru se mantém estável, Brasil e Colômbia recuam de forma significativa. O Chile permanece como a economia de referência regional, ocupando o 43º lugar global — distância de 22 posições em relação ao Brasil.
6.4 África — presença crescente, posições desafiadoras
Seis economias africanas integram o ranking na edição 2025, incluindo Quênia e Namíbia, novidades desta edição. A África do Sul (54º) lidera o continente, beneficiada pela maior subida relativa do ranking (+10). Botsuana (66º) recua 7 posições, enquanto Nigéria (68º) e Namíbia (69º) ocupam posições próximas à última colocação.
| País | Posição Global | Variação |
|---|---|---|
| África do Sul | 54º | +10 |
| Quênia | 55º | +1 (estreante) |
| Gana | 64º | −3 |
| Botsuana | 66º | −7 |
| Nigéria | 68º | −1 |
| Namíbia | 69º | −1 (estreante) |
Tabela 9 – Economias africanas no IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
7. Foco: O Brasil no Ranking
O Brasil ocupa a 65ª posição na edição 2025/2026, registrando uma queda de 7 posições — o segundo maior recuo entre as economias das Américas, atrás apenas de México (−7, igualmente) e Porto Rico (−7). Trata-se de um dos desempenhos mais desfavoráveis em toda a base, situando o Brasil no segundo quintil inferior do ranking global.
| Indicador | Brasil |
|---|---|
| Posição global | 65º / 70 |
| Variação | −7 posições |
| Posição na América do Sul | 5º de 6 |
| Posição nas Américas (total) | 9º de 10 |
| Economias à frente | 64 |
| Economias atrás | 5 (Gana, Botsuana, Nigéria, Namíbia, Venezuela) |
Tabela 10 – Posição do Brasil no IMD WCR 2025/2026. Fonte: IMD WCC.
O Brasil pontuou 46,4 pontos no índice de competitividade global de 2025, recuando 10,1 pontos desde 2010 (quando marcava 56,5 pontos) — um dos declínios absolutos mais expressivos entre economias de porte comparável. Enquanto Portugal (40º, −3) e Espanha (39º, estável) avançam no contexto europeu, e o Chile consolida sua liderança regional sul-americana, o Brasil segue enfrentando obstáculos estruturais que limitam sua competitividade.
A queda do Brasil de 7 posições em 2025 acompanha tendências estruturais de longo prazo: desde 2010, o país perdeu mais de 10 pontos no índice de competitividade do IMD. Os desafios concentram-se nos fatores de eficiência do governo (carga tributária, burocracia), eficiência dos negócios (produtividade, mercado de trabalho) e infraestrutura (logística, educação), que pesam negativamente na percepção dos executivos respondentes do survey.
8. Panorama Visual: Ranking Completo por Posição
O gráfico a seguir exibe as 70 economias ordenadas pela posição no ranking, coloridas por continente. As barras representam o valor do rank invertido (economias melhor posicionadas têm barras maiores), permitindo visualizar a distribuição continental ao longo do espectro de competitividade.
Figura 3 – Distribuição do ranking por continente (1º ao 70º lugar)
Ranking Mundial de Competitividade do IMD
Escola de negócios IMD, sediada em Lausanne, Suíça.
Barras maiores = economias mais competitivas. Brasil destacado em vermelho. Fonte: IMD WCR 2025/2026.
9. Conclusões
- A Ásia domina o topo do ranking global — Singapura, Hong Kong SAR e Taiwan (4º) ocupam três das cinco primeiras posições, além de concentrarem as maiores subidas da região (Malásia +8, Coreia do Sul +6);
- A Europa é o continente mais representado (29 economias), mas apresenta enorme dispersão interna — da Suíça (3º) à Romênia (61º) — e concentra tanto a maior queda global (Lituânia, −13) quanto a maior subida continental (Polônia, +11);
- A tendência geral é de queda: 34 economias recuaram, 28 subiram e 8 se mantiveram estáveis; a variação média foi de −0,69 posição entre as economias com dados disponíveis;
- O Brasil (65º, −7) apresenta desempenho preocupante: é o 5º colocado na América do Sul (de 6) e registra declínio de longo prazo de mais de 10 pontos no índice desde 2010, evidenciando fragilidades estruturais em eficiência do governo, eficiência dos negócios e infraestrutura;
- A África do Sul protagonizou a maior subida relativa da edição (+10), sinalizando melhora na percepção de competitividade do continente africano, cujos três novos integrantes (Quênia, Namíbia e Omã) ampliam a cobertura global do ranking;
- Economias de pequeno e médio porte com governança eficiente (Singapura, Irlanda, Dinamarca, Luxemburgo) superam consistentemente grandes economias, reforçando que PIB e tamanho populacional não são determinantes primários de competitividade no modelo IMD;
- Para o Brasil, os dados reforçam a necessidade de reformas estruturais focadas em simplificação tributária, melhoria do ambiente de negócios, investimentos em infraestrutura logística e educação, e fortalecimento das instituições — pilares centrais dos quatro fatores avaliados pelo IMD WCR.
Referências
- IMD World Competitiveness Center. IMD World Competitiveness Ranking 2025. Lausanne: IMD, 2025. Disponível em: imd.org.
- IMD World Competitiveness Center. Methodology WCR 2025. Disponível em: imd.org/methodology. Acesso em: 23 jun. 2026.
- Statbase. World Competitiveness Ranking: Data by Countries 1997–2025. Disponível em: statbase.org. Acesso em: 23 jun. 2026.
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