IDHM-PNAD 2024: Análise Exploratória por Região Geográfica do Brasil
Análise exploratória do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal estimado pela PNAD (IDHM-PNAD) para os 26 estados e o Distrito Federal, com foco nas disparidades entre as cinco regiões geográficas do Brasil no ano de 2024.
Este artigo apresenta uma análise exploratória de dados (AED) do IDHM-PNAD 2024, indicador que estima o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), produzida pelo IBGE. O objetivo é identificar padrões de desigualdade regional no desenvolvimento humano entre as cinco regiões geográficas do Brasil Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, calculando médias regionais, elaborando rankings e destacando os estados mais e menos desenvolvidos em cada região.
1. Introdução
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma das métricas mais utilizadas internacionalmente para mensurar o bem-estar de uma população, combinando dimensões de longevidade, educação e renda em um único indicador sintético, variando de 0 (mínimo) a 1 (máximo). No contexto brasileiro, o IDHM-PNAD amplia a capacidade analítica ao permitir estimativas anuais baseadas na PNAD Contínua, superando a limitação do IDH convencional, que depende de dados censitários decenais.
O Brasil é marcado por profundas desigualdades regionais, historicamente documentadas em indicadores socioeconômicos, de saúde e de acesso a serviços. Esta análise busca quantificar e contextualizar essas disparidades sob a ótica do IDHM-PNAD 2024, cobrindo todos os 27 entes federativos 26 estados e o Distrito Federal.
2. Metodologia
Os dados utilizados foram extraídos da consulta https://www.atlasbrasil.org.br/consulta/planilha, contendo os valores do IDHM-PNAD para o ano de 2024, um registro por unidade federativa (27 observações). A metodologia compreendeu:
- Atribuição de cada unidade federativa à respectiva região geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste), conforme classificação do IBGE;
- Cálculo da média aritmética simples do IDHM-PNAD para cada região;
- Elaboração de ranking regional por média decrescente;
- Identificação dos estados com maior e menor IDHM dentro de cada região;
- Construção de gráfico de barras comparativo das médias regionais.
O Distrito Federal, unidade sui generis do ponto de vista federativo, foi alocado na Região Centro-Oeste, conforme a convenção geográfica padrão do IBGE. Todos os cálculos utilizam média simples sem ponderação por população, de modo que cada estado tem peso equivalente na média regional.
3. Panorama Nacional
O Brasil apresentou, em 2024, um IDHM-PNAD médio nacional de 0,797, calculado sobre os 27 entes federativos. O indicador oscila entre 0,745 (Maranhão, menor valor nacional) e 0,866 (Distrito Federal, maior valor nacional), resultando em uma amplitude de 0,121 ponto expressiva para um índice normalizado entre 0 e 1.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Ano de referência | 2024 |
| N.º de unidades federativas | 27 (26 estados + DF) |
| Média nacional (simples) | 0,797 |
| Maior IDHM-PNAD | 0,866 — Distrito Federal |
| Menor IDHM-PNAD | 0,745 — Maranhão |
| Amplitude | 0,121 ponto |
| Fonte | Atlas Brasil / PNAD Contínua – IBGE |
Tabela 1 – Resumo estatístico do IDHM-PNAD 2024 no nível nacional. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.
4. Análise por Região
4.1 Médias regionais do IDHM-PNAD
A tabela a seguir apresenta a média do IDHM-PNAD 2024 para cada uma das cinco regiões geográficas do Brasil, acompanhada do número de estados, do estado com maior índice e do estado com menor índice dentro de cada região.
| Região | Nº Estados | Média IDHM-PNAD | Maior (estado) | Menor (estado) |
|---|---|---|---|---|
| Sul | 3 | 0,8243 | SC — 0,833 | RS — 0,818 |
| Centro-Oeste | 4 | 0,8225 | DF — 0,866 | MS — 0,797 |
| Sudeste | 4 | 0,8175 | SP — 0,838 | ES — 0,804 |
| Norte | 7 | 0,7716 | TO — 0,797 | AC — 0,754 |
| Nordeste | 9 | 0,7614 | RN — 0,778 | MA — 0,745 |
Tabela 2 – Médias regionais do IDHM-PNAD 2024. SC = Santa Catarina, DF = Distrito Federal, SP = São Paulo, TO = Tocantins, RN = Rio Grande do Norte, AC = Acre, MS = Mato Grosso do Sul, ES = Espírito Santo, MA = Maranhão. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.
4.2 Gráfico comparativo das médias regionais
O gráfico de barras horizontais abaixo evidencia o gradiente de desenvolvimento humano entre as regiões brasileiras. A diferença entre a região mais desenvolvida (Sul, 0,8243) e a menos desenvolvida (Nordeste, 0,7614) é de 0,063 ponto o equivalente a uma disparidade substancial quando considerada a escala comprimida do indicador.
Figura 1 – IDHM-PNAD médio por região geográfica (Brasil, 2024)
Fonte: Atlas Brasil / PNAD Contínua – IBGE, 2024. A linha tracejada vermelha indica a média nacional simples (0,797).
5. Ranking Regional
Ordenando as regiões por média decrescente do IDHM-PNAD 2024, obtém-se o seguinte ranking:
| Posição | Região | Média IDHM-PNAD | Situação vs. Média Nacional |
|---|---|---|---|
| 1º | Sul | 0,8243 | +0,027 acima |
| 2º | Centro-Oeste | 0,8225 | +0,026 acima |
| 3º | Sudeste | 0,8175 | +0,021 acima |
| 4º | Norte | 0,7716 | −0,026 abaixo |
| 5º | Nordeste | 0,7614 | −0,036 abaixo |
Tabela 3 – Ranking regional por IDHM-PNAD médio (2024). Média nacional = 0,797 (média simples dos 27 entes). Fonte: Atlas Brasil / IBGE.
As três regiões do Centro-Sul (Sul, Centro-Oeste e Sudeste) superam a média nacional, enquanto Norte e Nordeste ficam abaixo dela. Merece atenção o fato de que o Centro-Oeste, historicamente visto como região de desenvolvimento intermediário, ultrapassou o Sudeste na média simples puxado principalmente pelo alto índice do Distrito Federal (0,866), que é o maior do país.
6. Destaques por Estado dentro de Cada Região
6.1 Região Norte
A Região Norte apresenta a segunda menor média entre as cinco regiões (0,7716), com todos os sete estados abaixo de 0,800. A dispersão interna é moderada: a diferença entre o maior (Tocantins, 0,797) e o menor (Acre, 0,754) é de 0,043 ponto.
| Estado | IDHM-PNAD | Destaque |
|---|---|---|
| Tocantins | 0,797 | 🥇 Maior da região |
| Rondônia | 0,786 | |
| Roraima | 0,780 | |
| Amapá | 0,759 | |
| Pará | 0,758 | |
| Amazonas | 0,767 | |
| Acre | 0,754 | ⚠ Menor da região |
Tabela 4 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Norte. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.
Tocantins (0,797), embora geograficamente inserido no Norte, faz fronteira com o Centro-Oeste e apresenta dinâmica socioeconômica mais próxima à região vizinha, o que pode explicar seu destaque positivo. O Acre (0,754) é o único estado da região com IDHM-PNAD inferior a 0,760.
6.2 Região Nordeste
Com nove estados e a menor média regional (0,7614), o Nordeste concentra as quatro menores unidades federativas do país em termos de IDHM-PNAD. A dispersão interna é de 0,033 ponto (entre Maranhão e Rio Grande do Norte).
| Estado | IDHM-PNAD | Destaque |
|---|---|---|
| Rio Grande do Norte | 0,778 | 🥇 Maior da região |
| Ceará | 0,773 | |
| Sergipe | 0,761 | |
| Paraíba | 0,760 | |
| Pernambuco | 0,767 | |
| Piauí | 0,764 | |
| Bahia | 0,759 | |
| Alagoas | 0,746 | |
| Maranhão | 0,745 | ⚠ Menor da região e do Brasil |
Tabela 5 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Nordeste. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.
O Maranhão (0,745) ocupa a última posição no ranking nacional, enquanto o Rio Grande do Norte (0,778) destaca-se positivamente no contexto nordestino indicando heterogeneidade interna relevante dentro da própria região.
6.3 Região Sudeste
O Sudeste apresenta média de 0,8175 e todos os estados acima de 0,800, confirmando seu papel como a região de maior concentração de desenvolvimento humano em termos absolutos. A dispersão interna (0,034 ponto entre SP e ES) é moderada.
| Estado | IDHM-PNAD | Destaque |
|---|---|---|
| São Paulo | 0,838 | 🥇 Maior da região |
| Rio de Janeiro | 0,819 | |
| Minas Gerais | 0,809 | |
| Espírito Santo | 0,804 | ⚠ Menor da região |
Tabela 6 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Sudeste. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.
São Paulo (0,838) é o segundo maior IDHM-PNAD do país, superado apenas pelo Distrito Federal. Todos os estados do Sudeste apresentam índice acima de 0,800, refletindo maior homogeneidade regional interna comparada ao Norte e Nordeste.
6.4 Região Sul
A Região Sul lidera o ranking nacional com média de 0,8243, apresentando a menor dispersão interna entre todas as regiões (amplitude de apenas 0,015 ponto). Os três estados sulistas figuram entre os seis mais desenvolvidos do país.
| Estado | IDHM-PNAD | Destaque |
|---|---|---|
| Santa Catarina | 0,833 | 🥇 Maior da região |
| Paraná | 0,822 | |
| Rio Grande do Sul | 0,818 | ⚠ Menor da região |
Tabela 7 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Sul. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.
A Região Sul é a mais homogênea do Brasil em termos de IDHM-PNAD: a diferença entre Santa Catarina (maior) e Rio Grande do Sul (menor) é de apenas 0,015 ponto. Isso sinaliza desenvolvimento humano distribuído de forma mais equânime entre os três estados.
6.5 Região Centro-Oeste
O Centro-Oeste ocupa o 2º lugar no ranking regional (0,8225), mas apresenta a maior dispersão interna de todas as regiões (0,069 ponto entre DF e MS). Isso decorre do efeito do Distrito Federal (0,866), cujo IDHM-PNAD atípicamente elevado eleva a média regional.
| Estado/UF | IDHM-PNAD | Destaque |
|---|---|---|
| Distrito Federal | 0,866 | 🥇 Maior da região e do Brasil |
| Goiás | 0,815 | |
| Mato Grosso | 0,812 | |
| Mato Grosso do Sul | 0,797 | ⚠ Menor da região |
Tabela 8 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Centro-Oeste. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.
O Distrito Federal (0,866) é um outlier positivo: sua condição de capital federal, com concentração de servidores públicos de alta renda, infraestrutura diferenciada e acesso amplo a serviços públicos de qualidade, gera distorção para cima na média do Centro-Oeste. Sem o DF, a média regional cairia para aproximadamente 0,808 próxima à do Sudeste.
7. Comparativo Estadual Nacional
O gráfico a seguir apresenta o IDHM-PNAD de todos os 27 estados e o DF, organizados por região, permitindo visualizar o padrão geral de distribuição regional.
Figura 2 – IDHM-PNAD 2024 por Unidade Federativa e Região
Fonte: Atlas Brasil / PNAD Contínua – IBGE, 2024. A linha tracejada vermelha indica a média nacional simples (0,797).
8. Conclusões
- A Região Sul lidera o ranking nacional de IDHM-PNAD médio (0,8243), seguida de perto pelo Centro-Oeste (0,8225) e Sudeste (0,8175);
- Norte (0,7716) e Nordeste (0,7614) ficam abaixo da média nacional (0,797), sinalizando persistência das desigualdades regionais históricas do Brasil;
- O Distrito Federal (0,866) é o maior IDHM-PNAD do país e distorce a média do Centro-Oeste para cima, enquanto o Maranhão (0,745) ocupa a última posição nacional;
- A Região Sul é a mais homogênea: amplitude interna de apenas 0,015 ponto, indicando desenvolvimento humano distribuído de forma mais equânime entre os três estados;
- O Centro-Oeste apresenta a maior heterogeneidade interna (amplitude de 0,069 ponto), reflexo do contraste entre o DF e os demais estados da região;
- Todos os estados do Sudeste e Sul superam 0,800, enquanto nenhum estado do Norte e Nordeste atinge esse limiar em 2024;
- A diferença entre o estado mais desenvolvido (DF, 0,866) e o menos desenvolvido (Maranhão, 0,745) é de 0,121 ponto equivalente a 13,9% do range do índice, dimensão expressiva para um indicador normalizado.
Os resultados reafirmam a necessidade de políticas públicas focalizadas nas regiões Norte e Nordeste, especialmente em estados como Maranhão, Alagoas e Acre, onde o IDHM-PNAD se mantém consistentemente abaixo da média nacional. Recomenda-se o aprofundamento da análise com decomposição do IDHM por suas dimensões constitutivas longevidade, educação e renda —, a fim de identificar os gargalos específicos em cada unidade federativa e subsidiar intervenções mais precisas.
Referências
- Atlas Brasil. IDHM-PNAD 2024. Disponível em: atlasbrasil.org.br. Acesso em: 19 jun. 2026.
- IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Rio de Janeiro: IBGE, 2024.
- PNUD Brasil; IPEA; FJP. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Brasília: PNUD, 2013.
- UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME. Human Development Report 2023/24. Nova York: UNDP, 2024.
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